avaliação:
legalzinho, mas um pouco confuso
Um filme americano que se passa no Japão com atores chineses falando em inglês, talvez esse tenha sido o primeiro erro do filme. Memórias de uma gueisha, no entanto, não pode ser considerado um filme ruim. A atuação não é nada má - destaque para "Sayuri" pequena e a beleza da fotografia não pode ser descartada. As cores nesse filme são intrigantemente marcantes e a beleza, principalmente nas cenas no jardim e de dança, é tocante.
No entanto, muita coisa deixa a desejar. Em primeiro lugar porque nas décadas de 30 e 40 as pessoas no Japão definitivamente não falavam em inglês de jeito nenhum. Em segundo lugar porque a história é vazia de um contéudo maior e, em vários momentos, o espectador é lavado a um universo que lembra muito novela mexicana. E em terceiro lugar pois algumas sequencias de "drama" são tão forçadas que é mais fácil fazer o espectador rir do que chorar, e um exemplo delas são: a cena em que Sayuri vai até o quinto dos infernos pra jogar um lenço e outra quando a vilã, Hatsumomo bota fogo na okiya por puro ciúmes lembrando muito as vilãs forçadas das novelas estrangeiras.
Além disso, apesar de bonito, o amor entre Sayuri e o presidente muitas vezes soa falso para um relacionamento entre um homem e uma mulher, mais parace um amor fraterno como se o presidente adotasse Sayuri e não se apaixonasse por ela. Outra coisa que soa falsa é, por exemplo, a explicação que que a protagonista ouve sobre a perda da virgindade e o sexo: aquele diálogo sobre a enguia e a caverna é engraçada não por ser irônica, mas por ser ridícula num filme de tamanho peso dramático.
Outro fator que me causou grande trsiteza foi o disperdício épico. Acho que, para um filme que prometeu tanto, o roteiro poderia ter aproveitado mais o fato da Segunda Guerra Mundial para impor barreiras à personagem. E, por fim, acho que, para pouquíssimas pessoas, ficou clara a diferença de uma prostituta para uma gueisha - a não ser pelo fato de que essas últimas são mais "artíticas".
No entanto, não sou tão prepotente a ponto de dizer que não recomendo o filme. Eu acho que todos tem que ver o filme se o tema interessar, mas já aviso que muitas dececpções virão se o espectador espera um filme belo como Tigre e o Dragão ou o Clã das Adagas Voadoras. Rob Marshal fez um bom trabalho? Não sei. Me recuso a acreditar que a mesma pessoa que dirigiu Chicago tenha dirigido Memórias de um Gueisha, mas, em todo caso...
Por hora é isso... Grande Abraço,
Pedro Braga
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